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13 de agosto – Dia Internacional do Canhoto

Em 13 de agosto, o mundo celebra o Dia Internacional do Canhoto, uma data criada em 1976 pelo britânico Dean R. Campbell, fundador do Left-Handers Club, para chamar a atenção para as características e também para os desafios enfrentados por quem tem a mão esquerda como dominante. Estima-se que os canhotos representem aproximadamente 7% a 10% da população mundial.

Durante séculos, porém, ser canhoto esteve cercado de preconceitos. Em diferentes culturas, a mão esquerda chegou a ser associada ao erro, à falta de habilidade e até ao mal. A própria palavra latina sinister, que significa “esquerdo”, acabou adquirindo em várias línguas o sentido de “sinistro” ou “ameaçador”.

E o que a Igreja Católica tem a dizer?

Do ponto de vista católico, ser canhoto não é pecado, defeito moral nem sinal de algo negativo. A lateralidade é uma característica humana, e não determina a dignidade, a fé ou a capacidade de uma pessoa servir a Deus.

A tradição bíblica utiliza frequentemente a imagem da “direita” como símbolo de honra e poder — como na expressão “sentado à direita do Pai”. Isso, entretanto, não significa que a mão esquerda seja espiritualmente inferior. Trata-se de uma linguagem simbólica presente nas Escrituras, e não de uma condenação às pessoas canhotas.

A própria orientação pastoral católica contemporânea é clara: não existe uma proibição geral para que um fiel utilize a mão esquerda em gestos religiosos quando houver necessidade. Uma publicação paroquial católica de 2026, por exemplo, recorda que um católico que não consegue utilizar a mão direita pode fazer o sinal da cruz com a esquerda.

Até mesmo na distribuição da Comunhão, não existe uma regra da Igreja que determine que um ministro extraordinário precise obrigatoriamente utilizar a mão direita.

Religiosos e personagens católicos canhotos

Um dos exemplos mais interessantes é o do Beato Estephan Nehme, monge maronita libanês, conhecido em algumas fontes como o “monge canhoto”. Sua vida foi marcada pela humildade, pelo trabalho cotidiano e pela profunda espiritualidade.

Outro nome frequentemente citado em listas de personalidades religiosas canhotas é Santa Teresa de Calcutá (Madre Teresa). Entretanto, é importante fazer uma ressalva jornalística: a informação sobre sua lateralidade não possui documentação histórica tão sólida quanto outros dados de sua biografia e, por isso, deve ser apresentada como uma atribuição, e não como fato absolutamente comprovado.

Também há inúmeros sacerdotes e religiosos contemporâneos canhotos. A própria literatura pastoral católica registra que existem padres canhotos e que a lateralidade, por si só, não constitui impedimento para o exercício do ministério.

Uma mão diferente, a mesma vocação

A celebração do Dia do Canhoto pode ser, para os católicos, uma oportunidade de refletir sobre algo ainda maior: Deus chama pessoas diferentes para formar um único povo.

Ser canhoto não torna ninguém mais santo nem menos santo. O que importa, na perspectiva cristã, é aquilo que a pessoa faz com os dons que recebeu.

A mão esquerda pode escrever uma oração, segurar um terço, tocar um instrumento na liturgia, ajudar alguém necessitado, trabalhar pelo próximo ou simplesmente fazer o sinal da cruz.

No fim, não é a mão que define a santidade.

É o amor colocado em cada gesto.

E talvez essa seja uma bela mensagem para o Dia do Canhoto: em uma Igreja chamada a acolher todos, há espaço tanto para quem usa a mão direita quanto para quem usa a esquerda — porque, diante de Deus, a dignidade humana não depende da mão que utilizamos, mas do coração com que servimos.

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